Como ocorre a inseminação artificial?
 
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Existem dois tipos de inseminação artificial: a intracervical e a intrauterina.

A intracervical permite reproduzir as mesmas condições fisiológicas de uma fecundação advinda de uma relação sexual; porém, na teoria, não apresenta nenhuma ideia de superioridade relacionada ao método tradicional. É bastante utilizada em casos de impossibilidade de condições normais em uma relação sexual ou de ejaculação intravaginal. Esses fatores são causados por má-formação dos órgãos sexuais e distúrbios na ejaculação.

A intrauterina é determinada pelo depósito de espermatozoides móveis selecionados, ou seja, aptos para a fertilização sendo previamente preparados e tratados no laboratório quando estavam em condições de sêmen. Colocam-se os espermatozoides no fundo da cavidade uterina, após a indução da ovulação por meio de substâncias administradas na mulher. O mínimo de espermatozoides selecionados para o procedimento são de 5 milhões.

Vantagens da inseminação artificial intrauterina

  • A presença de muco cervical não é necessária para a migração dos espermatozoides durante o processo, visto que esse auxilia durante o processo de fecundação natural. Ausente por distúrbios na ovulação ou por alguma alteração anatômica do colo uterino, que pode ser pós-cirúrgico ou por processos infecciosos. O muco, em condições normais, também afeta o processo, podendo ser hostil à penetração dos espermatozoides no óvulo, seja por questões de acidez ou fator imunológico.
  • Um outro aspecto é relacionado ao fato de essa técnica permitir o aumento do número de espermatozoides móveis que adentram a cavidade uterina, visto que eles são injetados além do colo do útero. Essa diferença faz com que eles atinjam locais mais internos da trompa de falópio, onde ocorre a fecundação. Isso facilita o encontro com o óvulo.
  • Esse método é utilizado em variadas situações: incapacidade do marido ou parceiro ejacular no interior da vagina de sua mulher ou parceira, problemas ovulatórios, modificações no muco cervical que impedem a livre penetração dos espermatozoides no útero, alterações na qualidade do sêmen, nas trompas uterinas e endometriose.
  • dreamstimefree_3211472aNos casos de impossibilidade do homem produzir espermatozoides, é utilizado o esperma de um doador voluntário.
  • A realização da inseminação artificial intrauterina permite chances de, aproximadamente, 18 a 20% de sucesso.   
O sêmen utilizado, seja do pai ou doador, deve ser criopreservado (passado por procedimentos de congelamento para que seja tratado e protegido) para a inseminação artificial.
 
No caso de doadores, voluntários passam por uma bateria de exames sorológicos que atestem segurança em relação à sua saúde. Após essa etapa, ocorre a doação de sêmen, evidentemente de excelente qualidade. Esses espermatozoides ficam armazenados em bancos de sêmen (tambores de nitrogênio líquido), à espera da utilização em alguma inseminação.

Normalmente, os bancos possuem tabelas com as descrições físicas dos doadores. O casal que optou pelo procedimento, escolhe o que possui características mais compatíveis com as do futuro pai, de modo que a criança possa ter traços de semelhança.

Esse procedimento ocorre através da colocação de sêmen do parceiro ou do doador no interior do útero feminino, dividindo-se em algumas etapas:
  • Primeiramente, estimulam-se os ovários por meio de substâncias, hormônios, que induzem a ovulação. Esse processo dura cerca de 10 dias. Salienta-se a importância de uma eficácia na ovulação, para que os resultados esperados sejam obtidos com sucesso. Essa indução conduz ao desenvolvimento de vários óvulos, aumentando o risco de 15 a 20% de a gravidez ser múltipla -gemelares- ou seja, mais de um óvulo fecundado, mais de um bebê.
  • O esperma colhido é formado pelo líquido seminal e pelos espermatozoides. Durante esse tratamento, os espermatozoides são separados do líquido seminal e armazenados no banco de sêmen. Esse líquido não é necessário porque, como desempenha o papel de transporte para os espermatozoides, a inseminação quebra essa finalidade, colocando os mesmos acima do orifício interno do colo do útero. A separação se deve a outra razão:  uma vez que o líquido seminal fosse injetado integralmente no colo uterino, isso provocaria cólicas uterinas, dor e, por fim, a expulsão do esperma.  
  • É feita uma seleção no banco de sêmen de acordo com a escolha das características do doador e, também, a concentração de espermatozoides móveis, visto que a fraca mobilidade dos outros é um dos fatores que pode afetar negativamente na probabilidade de confirmação de uma gravidez. O banco de sêmen é composto por um líquido que protege os espermatozoides submersos e guardados em criotubos numa temperatura de -196ºC. Cada um desses tubos contém quantidades suficientes para uma inseminação. O banco de sêmen também é utilizado para a crioconservação de espermatozoides do homem que deseja ser pai, mas pode estar atravessando problemas graves de saúde, intervenções cirúrgicas, quimioterapia, radioterapia e outros fatores que possam afetar a produção de espermatozoides.
  • dreamstimefree_361783aAs amostras colhidas são tratadas através de técnicas de capacitação e preparação seminal.
  • Finalmente, o processo de inseminação em si. Durante as consultas, sendo desnecessário qualquer tipo de anestesia, a mulher é inseminada. Depois de se ter induzido a ovulação, essa etapa ocorre durante dois dias seguidos e da seguinte maneira: a paciente é colocada em posição ginecológica. O médico, então, introduz o espéculo (aparelho utilizado para exames ginecológicos) na vagina. Uma desinfecção é feita no orifício do colo do útero e, então, um cateter é introduzido até o seu interior. Previamente selecionado, o concentrado de espermatozoide (geralmente, 0,5 ml) é injetado diretamente nesse local. Após a injeção, o cateter é retirado. Nesse caso, a fertilização é realizada dentro das tubas uterinas.   
  • A cada vez que o processo é repetido, uma amostra seminal é fornecida ao laboratório. Após o sêmen ter sido depositado no útero, recomenda-se que a mulher permaneça em repouso por 30 minutos.
  • Segundo especialistas em Medicina Reprodutiva, o resultado pode vir a aparecer entre 12 a 14 dias após o procedimento.